Mentoring

Por: Manuel Nunes da Silva

Publicado na revista DO it! n.º 31 (www.doit.pt)

 

O cada vez maior interesse e divulgação que a atividade tem tido, resulta numa cada vez significativa adesão de profissionais à atividade do mentoring.

O mentoring já deixou, há muito, de ser praticado apenas por um grupo restrito de profissionais altamente qualificados e de elevado reconhecimento.

Este aumento do número de mentores vai, necessariamente, provocar dois efeitos relevantes para a atividade, o nível de qualidade dos mentores tende a decrescer, e aumenta o número de mentores que não estão dispostos a atuar de forma pro bono.

 

Certificação

O potencial de decréscimo de qualidade dos mentores, por via do seu rápido incremento em número, leva-nos automaticamente à necessidade de certificação. É fundamental que a certificação garanta a qualidade dos mentores.

A par da certificação, é igualmente importante a organização profissional e corporativa. É também aqui que a APMENTOR desempenha já o seu papel, disponibilizando certificação de qualidade dos seus membros, apresentando-se como entidade reguladora, de controlo e de garante das melhores práticas de conduta dos seus membros.

 

Organizações Internacionais

Num mundo global, de total mobilidade e relacionamentos transnacionais livres, surge a necessidade da existência de organismos internacionais.

O papel das organizações internacionais de mentoring, como é o caso da EMCC – European Mentoring & Coaching Council, além de serem os fóruns privilegiados de estudo e discussão da temática do mentoring, desempenham um papel fundamental na homogeneização dos critérios e práticas e estabelecem os necessários códigos de ética e conduta, efetuam a  certificação internacional e formação.

A certificação é concedida em vários graus, de forma a ficar bem patente para o potencial utilizador (mentee) o nível de qualificação de cada mentor.

A questão da formação em mentoring é, por si só, motivo de discussão e controvérsia.

Será um mentor “fabricável” através de um programa de formação ou será necessário bem mais do que isso ?

Poderá um sistema de certificação gradativo obviar a esse problema?

 

Complementaridade com o Coaching

A crescente utilização do mentoring no ambiente das organizações, prestado pelos quadros superiores e intermédios das próprias instituições, vem complementar a usual utilização do coaching.

Na realidade, as novas tendências do mentoring utilizam muitas ferramentas próprias do coaching, sendo no entanto algo mais.

Como conjugar então toda esta corrente de profissionalização do mentoring que se verifica com a definição tradicional de que o mentoring deve ser uma atividade tendencialmente gratuita?

Penso que não haverá dificuldade significativa. Existe espaço para ambas as opções. Se o mentoring pro bono era a regra, vai agora, a breve trecho, tornar-se a exceção. Mas é imperioso que se mantenham possíveis de exercer ambas as opções.

Na APMENTOR, por exemplo, os mentores têm total liberdade para estabelecerem com os mentees o tipo de contrato de prestação de mentoring (podendo ir de pro bono a participação no capital ou honorários, por exemplo).

No meio académico têm surgido programas de mentoring muito interessantes, de apoio a projetos de alunos de mestrado e doutoramento, assim como de aconselhamento de carreira. A maioria das Business Schools, tanto em Portugal como um pouco por todo o mundo, já estão a desenvolver os seus programas internos de mentoring.

A profissionalização não é inimiga da qualidade, antes pelo contrário, desde que enquadrada por uma correta certificação e obediência estrita a um código de conduta e de ética. Pode mesmo conduzir a uma melhoria da qualidade do serviço prestado pelos mentores, uma vez que a prática do mentoring como única ou principal atividade concorre diretamente para um maior compromisso, disponibilidade e dinâmica por parte dos mentores.

Por outro lado, a oferta de mentores ao tornar-se mais vasta e diversificada, e desde que devidamente enquadrada por níveis de certificação, permitirá ao mercado de potenciais clientes, mentees, um leque mais alargado de escolha, permitindo-lhes uma seleção informada do seu mentor.

Mas mais uma vez é preciso enfatizar que há lugar para todos, dos mais “puristas” aos mais “progressistas”.

A essência do mentoring é só uma: “O mentoring é uma ferramenta de desenvolvimento profissional e consiste numa pessoa experiente (Mentor) ajudar outra menos experiente (Mentee), num campo de interesse do Mentee, onde o Mentor possui conhecimento comprovado.